Vamos Falar um Pouco da Filologia do Amor



amorflec

Olá! Me chamo Geraldo Voltz Laps, sou Administrador de empresas, estudante de Genealogia Alemã e Imigração para o RS, além de gostar de estudar Pedigree de cavalos PSI (turfe) e ser amante da boa leitura sobre psicologia, comportamento e história. Sou criador e editor do Blog do Pharis e a partir de hoje estarei aqui no Novo na Rede falando sobre Comportamento.

E para começar, vamos falar um pouco da filologia do amor?

 

Filologia do Amor

E por que tal proposta? É que vejo que até o amor nós já não sabemos mais o que é! E antes que você me xingue ou saia deste artigo por não entender de filologia, para simplificar vamos resumir o termo filologia segundo o Dicionário Caldas Aulette:

"Estudo de uma língua em todos os seus aspectos e dos escritos que a documentam. Estudo que tem por objetivo a restituição de um texto à sua forma lingüística primitiva, retirando-se dele todos os acréscimos que sofreu no decurso de sua transmissão; crítica textual. Estudo de sociedades e culturas antigas por meio de textos por elas legados, privilegiando-se para tanto a língua escrita e literária."

Agora que fomos apresentados, vamos escrever sobre um termo que tem início com sua origem grega Pornéia. Para discorrer sobre ele e pelos seus principais significados, imaginemos Pornéia como o amor inicial e primário de todo o ser humano. Você que é mãe ou que já foi filho (na realidade todos nós o fomos, mas aqui se aplica ao sexo masculino), vai se identificar com a cena: logo ao nascimento o recém nascido é colocado junto a corpo de sua mãe e inconscientemente, mas de forma instintiva procurou seu seio. A amamentação foi o primeiro elo de contato entre criança e mãe, primeira manifestação do amor pornéia. Durante meses (nos casos normais de lactação) o bebê encontrou na mãe seus desejos de afetos, alimentação e manifestação de satisfação egoística resolvidos. Nestes momentos o bebê "devora" a mãe e ali sacia todas as suas necessidades e não sendo cobrado (é claro) por sua atitude, todos acham os gestos absolutamente normais e socialmente aceitos.

Porém o que é bonito em uma criança até o seu segundo ano de vida (este comportamento individualista), não é bem visto e nem seria de aceitação completa quando o homem atravessa sua adolescência, vida adulta e maturidade tendo um comportamento individualista e "devorador". 

 

Amor Pornéia

Manifestações correlatas do amor pornéia chocam quando derivam para o lado sexual, do mesmo radical pornéia surge a pornografia, manifestação egoística da busca exagerada do prazer físico, da exposição demasiada, do exagero e exibição do libido. 

Não foi discorrer mais sobre pornografia por não é este o objetivo deste artigo, visto que a pornografia é bem conhecida em todas as suas manifestações. Vou repassar a vocês uma divertida história relatada pelo médico paraense Alberto Almeida sobre o comportamento de seu pai, como um típico pensador pornéia.

Ele disse que um casal somente dará certo se ambos não tiverem comportamento pornéia, o que é o caso. A mãe dele com comportamento stourgé (tema dos próximos artigos) levanta antes de ir para o trabalho, prepara um magnífico pudim, porém não dá tempo de o provar, senão iria se atrasar para seus atividades profissionais. Deixa-o esfriando, para na volta desenformar e servir para a família. 

O seu pai levantando mais tarde, não percebe o pudim de imediato, mas na preguiça de preparar o seu café acaba por bisbilhotar algo pronto na cozinha. Achando o pudim e maravilhado prova um, dois, três pedaços e deixa só um pedaço na forma e vai trabalhar. Ao retornar do trabalho, antes de sua esposa, encontra aquele pedaço de pudim restante e o devora, deixando para sua esposa apenas a louça suja e uma forma de pudim vazia. Como diria Dr. Alberto, este é um típico comportamento pornéia.

 

Ciúme

Agora imagine o Amor pornéia voltado ao campo sentimento: as pessoas são desconfiadas, inseguras e ciumentas, muito ciumentas. Não raro, agridem física, emocional e psicologicamente seus (suas) parceiros (as). Muito embora tenha um termo popular que diz que o ciúme é o tempero do amor, devemos observar que este tipo de tempero deverá ser ministrado com muito cuidado, exemplos estão ai toda hora para nos mostrar quando isto foge do normal. Médicos sempre recomendam cuidado com o excesso de sal e tempero na alimentação para evitar problemas futuros, então aqui à recomendação é a mesma, muita calma nesta hora senão o equilíbrio pode se romper e por tudo a baixo.

Se o amor pornéia, como a primeira etapa na criança age como amor voraz e devorador não seria de bom tom isto em um senhor de 50 anos. Notamos  claramente que muitas relações interpessoais acabam por desgastar-se por não cumprir suas necessidades de satisfação (seja física e/ou emocional) e quando os agentes envolvidos não tem a correta leitura a respeito das suas expectativas perante aquelas pessoas, acabam com mágoas, ressentimentos e raivas. Isto aplica-se tanto no ambiente pessoal como no profissional. Pessoas muito competitivas (nem sempre leais) acabam por gerar "sentimentos" e atitudes que os atrapalham e incomodam os outros.

Apenas para ilustrar, com bancos, indústrias e países "quebrando" no mundo inteiro, foi revelado e muito divulgado que altos executivos de alguns bancos norte-americanos ainda estavam auferindo altos bônus como se navegassem em prosperidade alta. Veja bem se você não encontra ai um legítimo comportamento pornéia?

E aqui acaba o meu breve flerte com a filologia do amor, a ele retornarei mais tarde, para falar em níveis de amores diferenciados, que possam trazer a certeza que amar sempre vale à pena!

PS: Texto inspirado na palestra do Dr. Alberto Almeida no Congresso Ciência a Lus da Espiritualidade, realizada em Porto Alegre nos dias 01/02 de Novembro de 2003.

Tags: ,

Geraldo Voltz Laps

Administrador de Empresas, estudante de Genealogia Alemã e Imigração para o RS. Criador e editor do Blog do Pharis.

Gostou? Então deixe seu comentário e/ou assine o Feed (rss) do blog.

5 Comentários em “Vamos Falar um Pouco da Filologia do Amor”

  1. Olá Geraldo!

    Delicioso o teu texto! Achei muito interessante a definição do comportamento pornéia, que me fez lembrar a sociedade onde vivemos e a voracidade com que os “pornéios” enchem a barriguinha. Mas essa é outra história! :)

    Gostei demais.

    Abraços
    Luísa

  2. Olá Luisa,

    Muito obrigado por estrear os comentários de meu artigo com tua lucidez e clareza. É sempre importante contar com tua opinião..

    Abraço

  3. Geraldo,

    Fiquei encantanda com cada linha escrita.

    É muito importante, ao meu ver, que divulguemos o conhecimento que não chegam à maioria das pessoas, e falar do amor pornéia e dos seus significados e nuances no cotiadiano de cada um, é uma riqueza muito grande.

    O amor desinteressado é o melhor dos amores, pois dispensa vínculos e apegos, libertando-se do ciúme, que mesmo considerado o tempero do amor, deve ser muito bem dosado, caso contrário, o tempero fica ruim de aguentar.

    Magnífico texto.

    Bjs.

    Rosana.

  4. Olá querido amigo Geraldo,

    Parabéns pelo post.

    O texto é muito interessante.
    Gostei muito desse teu flerte com a filosofia.
    Saiu-se muito bem.
    Carinhoso e fraterno abraço,
    Lilian

  5. Olá!
    Seja bem vindo, Geraldo…

    Gostei muito do texto, pois foi diferente e interessante. Aprendi muitas coisas hoje com você!

    Abraços!

Deixe seu comentário

Quer mostrar sua imagem ao lado do seu nome nos comentários? Saiba como clicando aqui!